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Géza Maroczy nasceu
em 1870
(03.03.1870),
em Szeged, Hungria.
Durante
vários
anos, dedicou-se a
estudos
técnicos e
matemáticos. Faleceu
em 1951
(20.05.1951),
em Budapest.
Somente aos 15
anos de
idade aprendeu a
jogar
xadrez,
mas
logo adquiriu a
perícia de
um
mestre
capacitando-o a
ombrear
com os
melhores
jogadores de
Budapest.
Ainda
assim,
não obteve o
reconhecimento
oficial
como
jogador de
alta
qualidade
até
sua participação no
principal
Torneio
Internacional de
Hastings, Inglaterra,
em 1895.
Desde aquela
época
até 1908, Maroczy
participou da
maioria dos
grandes
torneios
internacionais,
figurando
sempre
entre os vencedores
premiados, exceptuando-se o
torneio
Gambito-Viena,
em 1903.
No
período compreendido
entre o
torneio de
Montecarlo,
em 1902, e o de
Viena,
em 1908, Maroczy
foi o
jogador
mais exitoso,
com
resultados
nunca
inferiores à
segunda
colocação,
salvo o
torneio
anteriormente
citado (Gambito-Viena, 1903).
Maroczy obteve o
primeiro
prêmio
em Montecarlo,
1902; Montecarlo, 1904; Ostende, 1905 (com
Janowski); e Viena, 1908 (com
Duras e Schlechter). A
partir de 1908, Maroczy poucas
vezes participou de
torneios
internacionais.
Quando terminou a
Iª
Grande
Guerra (1914-1918),
voltou a
jogar, e uma
vez
mais registrou
grandes
resultados,
tal
como
compartilhar os
três
primeiros
prêmios
com Alekhine e
Bogoljubov no
Torneio de Carlsbad,
em 1923.
Os
pesquisadores
enxadrísticos
não encontrarão
com
freqüência a
menção das
partidas de Maroczy
nos
manuais de
uso
corrente,
porque
em
geral
não
são
partidas de
ataque. É na
arte da
defesa
que se destaca
sua
força,
como
não seria de
estranhar
em
tão
hábil vencedor de
torneios,
com
destaque
especial
para os
seus
finais de
partida.
A
habilidade
defensiva de
Maroczy exerceu
grande
influência no
descrédito sofrido
por várias e
vigorosas (mas
não verdadeiramente
sólidas)
aberturas
que estiveram
em
voga n’outros
tempos.
Em
contrapartida,
seu
estilo contribuiu
para
popularizar o
uso
freqüente de
certas
defesas cerradas,
como a Francesa e a
Siciliana,
que
antes
não gozavam da
preferência dos
mestres,
em
virtude de
seu
sistemático
emprego
pelos
jogadores de
defesa.
Partida
nº 1
Jacques Mieses x Geza Maroczy
(Montecarlo, 1902 – Gambito
Danês, C 21)
1 e4
e5 2 d4 exd4 3 c3
O chamado “Gambito
Danês”
já
não é usado
com
freqüência
pelos
mestres
atuais. É
duvidoso
que
esse
sacrifício de
peão seja
correto,
além de
ineficaz, se as
Pretas recusarem
seu oferecimento e
jogarem posicionalmente. A
pergunta é:
qual o
propósito do
lance 3 c3? É
evidente
que as Brancas
procuram uma
concentração de
peões no
centro
com 4 cxd4.
Mas as pretas
impedir
isso facilmente,
continuando
seu
desenvolvimento
com 3...d5!
Depois de 4 exd5
Dxd5 5 cxd4, as Brancas têm o Peão-de-Dama isolado
em
vez da pretendida
concentração de
peões
centrais,
além de
perder
sua
vantagem de
abertura.
3...dxc3
4 Bc4
Esse
outro
sacrifício é o
único
sólido e
usual procedimento.
4...cxb2
5 Bxb2 d6
Schlechter
recomenda a
excelente
defesa 5...d5! 6
Bxd5 (se 6 exd5 Cf6 e as pretas mantêm
sua
vantagem
material
sem nenhuma
dificuldade
especial) 6...Cf6 7
Bxf7+ Rxf7 8 Dxd8 Bb4+ 9 Dd2 Bxd2+ 10 Cxd2,
com
igualdade
material,
embora as Pretas
tenham
um
jogo preferível
devido a
sua
superioridade de
peões na
ala da
Dama.
6
Ce2
É
difícil
determinar
qual
jogada oferece as
melhores
perspectivas de
ataque.
Além do
lance do
texto, tem sido
experimentados 6 Cf3, 6 Db3 e 6 f4.
6...Cc6 7 0-0
Be6 8 Bd5 Cf6 9 Db3 Dc8 10 Cf4 Bxd5 11 exd5 Ce5
Um
típico
exemplo da
correta
defesa
contra o
jogo de gambito. As
Pretas
não procuram
manter
sua
vantagem de
peões,
mas
até facilitando a
oportunidade de as
Brancas recuperarem
um
peão e o
outro,
em
seguida.
Mas o
tempo
que
elas utilizarão
para
isso, as Pretas
aproveitam
para
completar o
seu
desenvolvimento, e
de
tal
maneira
que
elas é
que passarão à
ofensiva.
Isso
não é
acidental,
mas,
como
antes assinalamos,
típico,
pois é
fácil de se
observar,
como
regra
geral,
que as Pretas
trocam
sua
vantagem
material
pela
conclusão de
seu
desenvolvimento.
12
Te1 Be7 13 Bxe5
dxe5 14 Txe5
(diagrama)

14...Dd7!
As Pretas devolvem o
segundo
peão.
Depois de 15 Dxb7
0-0, as Brancas estariam numa má
posição. Daí
por
que Mieses ataca o
outro PC (g7),
mas
isso
não
melhora a
sua
posição. Maroczy
decide-se
pelo grande-roque,
sem se
preocupar
em
defender o
peão de g7.
15
Dg3 0-0-0! 16 Dxg7
Ambos os
bandos estão
agora igualados
em
material,
mas as
peças brancas
não têm uma
formação
efetiva e
seu flanco-Dama
ainda está
por desenvolver-se.
E
aqui cabe
um
antigo
aforismo:
quando
um
ataque é rechaçado, o
contra-ataque é
duplamente
decisivo.
16...Dd6
17 Dg5
Forçado,
posto
que
após 17 Tf5, as pretas
disporiam da
vigorosa
continuação
17...Db4
com
efeito
decisivo. E
contra 17 Cd3, a
resposta das Pretas
seria 17...Cd7, seguido de 18...Bf6.
17...The8
As Pretas ameaçam 18...Cd7 e as Brancas
não podem
por
mais
tempo
impedir a
perda de uma ‘qualidade’.
18
Cd2 Cd7 19 Txe7 Dxe7
Naturalmente, a
vitória é das Pretas de todas
as
formas.
Ainda
assim, é
notável o
vigoroso
desenlace
que
elas estabelecem.
20
Dg3 Db4 21 Cf3
Somente
com 21 Cf1 as
Brancas evitariam a
perda de uma
peça.
21...Tg8
22 Dh4
É
claro
que se 22 Cg5
seguiria 22...h6.
22...Dc3! 23 Tb1 Dxf3 24 Dh6 Cb6, 0-1.
Partida
nº 2
Geza Maroczy x Max Euwe
(Scheveningen, 1923 –
Defesa
Siciliana, B 84)
1
e4 c5 2 Cf3 Cc6 3 d4 cxd4 4 Cxd4 Cf6
Na
Defesa
Siciliana, as
Pretas adotam o
pior
desenvolvimento,
como
já dissemos, na
confiança de
obter
mais
tarde uma
vantagem posicional
mercê de
sua
superioridade de
peões no
centro e
pela
pressão
que exercerão
sobre a coluna-C.
Por essa
razão, 4...Cf6 é o
lance indicado
para
provocar 5 Cc3, impedindo
assim o pontaço 5
c4!,
que dá às Brancas
uma
forte
posição,
capaz de
diluir as
esperanças das
Pretas.
5
Cc3 d6
Antigamente,
costumava-se
jogar
aqui 5...e6,
seguido
oportunamente de
...d5. Ocorre,
porém,
que
isso resultava numa
posição
aberta,
com o peão-d das
Pretas isolado e
em
desacordo
com o
caráter
cerrado da
Defesa
Siciliana.
Atualmente,
esse
avanço (...d5)
não é
tão
premente,
razão
pela
qual se dá
preferência à
chamada
Variante Scheveningen, usada
pela
primeira
vez nesta
partida
por Euwe.
Depois de 5...e6, a
partida prossegue
com 6 Cdb5 Bb4! 7
a3 (se 7 Cd6+ Re7! e
esse
ataque
prematuro compromete a
posição das
Brancas) 7...Bxc3+ 8 Cxc3 d5 9 exd5 exd5 10 Bd3 0-0 11 0-0
e as Brancas têm uma
excelente
partida.
Similar à
Variante Scheveningen é a
Variante Paulsen, usada
freqüentemente no
século
passado (XIX): 1 e4
c5 2 Cf3 e6 3 d4 cxd4 4 Cxd4 a6 (e ...Dc7),
depois do
que as Pretas,
com
vagar, desenvolvem duas
peças.
Esse
método foi
eficaz
enquanto as Brancas
continuavam o
desenvolvimento de
suas
peças
com 5 Cc3. No
entanto,
depois de 5 c4! (lance
jogado
pelo
autor
pela
primeira
vez na
prática
magistral
contra Tartakower,
em Mannheim, 1914),
as Brancas detém
tamanha
superioridade
que a
Variante Paulsen é
raramente
empregada
nos
dias de
hoje.
Por
isso, a
Variante Scheveningen pode
significar uma
melhora e uma
modernização do
velho
método proposto
pela
Variante Paulsen.
6 Be2 e6
Desde a
partida
Lasker-Napier
que se conhece o
lance 6...g6,
que tem a
desvantagem de
ceder
demasiado
espaço no meio-jogo
para as Brancas, uma
vez
que
depois de
desenvolvido o
bispo
em g7, torna-se
inviável a
continuação ...e6,
que debilitaria
sobremodo o
peão de d6, e
que passaria a
ser uma
fraqueza,
um
alvo
para as Brancas.
7
0-0 Be7 8 Rh1
Maroczy,
que jogava
com
freqüência a
Defesa
Siciliana, sabe
também
como atacá-la
posicionalmente. As Pretas esperam
atacar ocupando a coluna-c
com uma
peça
maior (...Dc7
ou ...Tb8) e,
então,
postar
um
Cavalo
em c4, seja
através de e5
ou de a5. Maroczy
vai
impedir essa
manobra
tanto
com f4 (impedindo o
trajeto ...Ce5/Cc4)
quando
com Cb3 (inibindo o
translado ...Ca5/Cc4).
8...O-O
9 f4 Dc7 10 Cb3
Impedindo o
Cavalo
adversário de
chegar
em c4
via a5.
10...a6
11 a4
Todas as
esperanças das
Pretas de
pressionar na
ala da
Dama estão
destruídas. As Brancas estão
em
vantagem
devido a
superior
posição de
suas
peças.
Como Euwe
manifestou
mais
tarde, o
roque
não foi uma boa
continuação
para as Pretas.
Ele devia
seguir de
imediato
com 8...a6,
quando
então as Brancas
não poderiam
evitar a
seqüência ...b5,
...Ca5 e ...Cc4.
11...b6
12 Bf3 Bb7 13 Be3 Cb4
Como é
fácil de
observar, as Pretas necessitam
jogar ...d5,
pois de
outra
maneira
sua
posição ficaria
demasiado
restringida.
Mas
aqui,
como
em
geral sucede
em
tais
posições da
Defesa
Siciliana,
isso
não é o
melhor,
quando as Brancas
podem
contestar
com e5. Se
tal ocorre, as
Brancas dominam o
flanco do
Rei e têm
ali
um
promissor
ataque,
enquanto as Pretas
na
ala da
Dama têm
muito
pouco a
fazer,
em
virtude do
domínio
que as Brancas
exercem
sobre o
casa
central de d4.
14
De2 d5 15 e5 Ce4
Relativamente
melhor seria
15...Cd7.
16
Bxe4 dxe4 17 Df2 b5
As Pretas defendem
o
peão de b6
com
dificuldade.
Mas se as Brancas
tomarem duas
vezes
em b5,
elas teriam a
compensação do
peão de c2.
18
axb5 axb5 19 Cd4 Bc6 20 Dg3!
As Brancas exploram
agora
suas
chances na
ala do
Rei e ameaçam f5 e
f6.
20...Txa1 21 Txa1 Tb8
Para
melhor se
defender, as Pretas necessitam
desocupar a
casa f8
para o
seu
Bispo. É
fácil de
compreender
que a
jogada 21...Tb8
seja
para
defender o
peão de b5,
mas
ninguém pode
duvidar
que
ali
ela
não está
bem situada.
22
f5! exf5 23 Cxf5 Bf8 24 Bf4 Ta8
(diagrama)

25 Tc1!
Um
lance
bem pensado e
ganhador.
Agora as Pretas
não têm
defesa
contra a
ameaça e6 e e7, uma
vez
que a
Dama
preta
não deve
abandonar a
sua
exposta
posição.
Agora, se 25...Dd7
26 Cxg7! Bxg7 27 Bh6 f5 28 exf6-ep Cxc2 e
aqui,
tanto 29 Txc2 Ta1+
30 Bc1!
quanto 29 Ce2!
dariam a
vitória
para as Brancas.
Inferior
para as Brancas seria 25 Txa8?
Bxa8 26 e6 Da7! e a
ameaça de
mate (...Da1+)
esvaziaria o
ataque das Brancas.
Outra
imprecisão, 25 Tf1,
permitiria às Pretas o
recurso de 25...Cd5
26 Cxd5 Bxd5 27 e6 Dc4!, ganhando o ‘tempo’
necessário
para a
sua
defesa.
25...g6
26 e6! Db7 27 e7! Bg7
Evidente, se
27...Bxe7 28 Cxe7 Dxe7 29 Bd6, ganhando
material.
28
Cxg7 Rxg7 29 Dh4! f6 30 Dh6+ Rg8 31 Bd6!,
1-0.
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