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 VARIEDADES   : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : :

9. Frank J. Marshall

                                                               (por R. Reti)

 

     

 

        Frank J. Marshall nasceu em 21 de agosto de 1877, no Brooklyn, em New York. Desde a morte de Harry N. Pillsbury (1906), foi indiscutivelmente o mais forte jogador norte-americano. Em seus primeiros anos de juventude, mercê de seu estilo agressivo, arriscava-se perigosamente, o que explicaria os seus desencontrados resultados em torneios, indo mal em alguns e laureando-se em outros.

            Ele triunfou em Cambridge Springs, 1904; Nuremberg, 1906; Dusseldorf, 1908. Os aficionados viam em suas partidas o renascimento das manobras dos “velhos mestres”. No entanto, nos matches que jogou contra os grandes mestres daquela época (mesmo depois de seus êxitos em torneios) ficou demonstrada a inferioridade de seu estilo diante do jogo posicional de seus adversários.

            Em 1905, perdeu de forma categórica para Tarrasch (8 a 1 e 8 empates), sendo ainda pior sua derrota frente a Lasker (8 a 0 e 7 empates). E finalmente, em 1909, foi derrotado pelo jovem Capablanca (8 a 1 e 14 empates). É bem provável que esses desafortunados resultados tenham-no levado a adotar um estilo mais sólido, e mesmo que a partir daí não tenha ganho nenhum torneio mais importante durante muito tempo, obteve pelo menos bons resultados nos torneios em que participou.

            O êxito que as partidas de ataque de Marshall (ricas em combinações) obtinham de tempos em tempos, ainda que provindas de posições inferiores, triunfando em virtude de hábeis ciladas, produziam uma grata reação contra os conceitos que delas se fazia desde os tempos de Steinitz.

 
Partida nº 1

 Frank Marshall  x  Amos Burn  (Paris, 12.06.1900 – Gb. da Dama, D 55)

 1 d4 d5 2 c4 e6 3 Cc3 Cf6 4 Bg5 Be7 5 e3 0-0 6 Cf3 b6 7 Bd3 Bb7 8 cxd5 exd5 9 Bxf6 Bxf6 10 h4 g6
           
Ameaçava o conhecido sacrifício de Bispo em h7 (11 Bxh7+), seguido de 12 Cg5+. Se as Pretas se defendessem com 10...h6, aí então seguiria 11 g4 e oportunamente g5.

 11 h5 Te8
            Na partida Marshall x Marco, desse mesmo torneio, as Pretas preferiram 11...c5, no lugar do defensivo lance do texto, mas o ataque das Brancas, em poucas jogadas, tornou-se muito poderoso (Frank Marshal x Georg Marco, Paris, 14.02.1900 – 1 d4 d5 2 c4 e6 3 Cc3 Cf6 4 Bg5 Be7 5 e3 b6 6 Cf3 Bb7 7 Bd3 0-0 8 cxd5 exd5 9 Bxf6 Bxf6 10 h4 g6 11 h5 c5 12 hxg6 hxg6 13 Ce5 Bxe5 14 dxe5 Dg5 15 Df3 Dxe5 16 0-0-0 Rg7 17 Dh3 Cc6 18 f4! De6 19 Dh6+ Rf6 20 Dg5+ Rg7 21 f5! De5 22 f6+ Dxf6 23 Dh6+, 1-0).

 12 hxg6 hxg6
            Como Burn perdeu rapidamente depois desse lance, compreende-se a posterior avaliação de todos os analistas de que 12...fxg6 era melhor. Ainda assim, é difícil dizer se essa crítica justifica-se ou não. O certo é que, em qualquer caso, as Brancas conseguem uma forte posição de ataque, sem a necessidade de sacrificar material.

 13 Dc2 Cd7  (D) 

 

14 Bxg6! fxg6 15 Dxg6+ Bg7
            Depois de 15...Rf8, as Brancas vencem com 16 Cg5! De7 17 Ch7+ Dxh7 18 Txh7+-; ou então, (16 Cg5!) 16...Bxg5 17 Th8+ Re7 18 Th7+ Rf8 19 Df7#.

 16 Cg5 Df3 17 Th8+!, 1-0.

 
Partida nº 2
 

F. Marshall x H. Kline  (New York, 1913 – Gambito da Dama, D 58)

 1 d4 d5 2 c4 e6 3 Cc3 Cf6 4 Cf3 Be7 5 Bg5 Cbd7 6 e3 0-0 7 Tc1 b6 8 cxd5 exd5 9 Da4
           
Já conhecemos a tática adotada por Pillsbury contra essa defesa do Gambito da Dama, que costumava prosseguir com Bd3, 0-0, Ce5 e f4, com o objetivo de atacar na ala do Rei. Nesta presente partida, vemos um dos mais modernos procedimentos em que as Brancas procuram obter vantagem pressionando o flanco-Dama, atacando notadamente a debilidade da casa c6, através da aberta coluna-c. Com essa finalidade, Marshall joga 9 Da4 para, com Ba6, trocar os  bispos das casas brancas. Outros procedimentos que perseguem esse mesmo objetivo se iniciam com 9 Bb5.

            Nesta partida que acompanhamos, as Pretas não se defendem a contento, e é exatamente por essa razão que Marshall tem a oportunidade de demonstrar de uma maneira muito instrutiva como se debilita o flanco-Dama adversário.

 9...Bb7
            Como as Brancas pretendem eliminar os Bispos de casas brancas via Ba6, é natural que se considere esse lance (9...Bb7) como uma perda de tempo. No entanto, se as Pretas tratassem de se opor à pressão adversária na coluna-c e jogassem de imediato 9...c5, as Brancas poderiam ganhar um peão com 10 Dc6. Mesmo assim, como as Brancas perdessem muitos “tempos” na obtenção dessa vantagem, as Pretas compensariam seu peão perdido pela rapidez de seu  desenvolvimento. Por isso, Teichmann recomendava aqui 9...c5, não obstante essa citada perda de material.

            Essa recomendação de Teichmann (9...c5) foi aplicada no match Capablanca x Lasker, mesmo que não tenha sido suficientemente comprovada a solidez desse sacrifício de peão.   

 10 Ba6 Bxa6 11 Dxa6 c6
            Era melhor 11...c5, muito embora, depois de 12 0-0 e 13 Tfd1, o peão de d5 torne-se muito vulnerável.

 12 0-0 Ce4?
            Isso perde um peão, a posição das Pretas já era bastante difícil.

 13 Bxe7 Dxe7  (D)

 

            Agora as Brancas obtêm uma vantagem material decisiva, por meio de três lances vigorosos.

 14 Db7 Tfc8 15 Cxd5! Dd6 16 Txc6!!, 1-0.

 

1. Adolf Anderssen
2. Paul Morphy
3.   Wilhelm Steinitz - Parte 1
      Wilhelm Steinitz - Parte 2
4.Siegbert Tarrasch
(5) Emmanuel Lasker
(6) Carl Schlechter
(7) Harry N. Pillsbury
8. G. Maroczy

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