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O GIGANTÃO
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Luiz Gonzaga (Giga) em
ação |
...mas, voltando ao xadrez pensado, um jogador que tenha
atravessado o cabo das Tormentas (enxadrísticas), isso após os
40 anos de idade, sofrerá um notável e natural decréscimo no
rendimento do seu jogo, principalmente depois que a partida
tiver ultrapassado um certo limite de tempo.
Esse fenômeno tão comum e inevitável é conhecido nos meios
enxadrísticos como “síndrome da terceira hora”.
O conhecido e estimado
enxadrista Luiz Gonzaga Alves Filho, não obstante sua idade
cinqüentenária, é um dos mais ferrenhos e assíduos
participantes de todos os tipos de competição. Um dia, ele
confessou-nos, a nós no Clube de Xadrez São Paulo, que, após a
terceira hora de jogo, ele
sente, aliás, pressente a
presença de alguém às suas costas, um gigantão nebuloso (seria
o titã Adamastor, de barbas negras e dentes amarelos, cantado
em versos por Camões?), que, sorrateiro e mefistofélico, voz
cavernosa, lhe sussurra anestesicamente ao ouvido:
-- Joga caca, Gonzaga! |
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E o seduzido Gonza, num
estupor de marujo apaixonado e bêbado, vai lá e... pumba!
comete uma capivarada dessas de clamar aos céus. É evidente
que uma melhor tradução para isso seria fadiga, estresse –
provocando um curto-circüito mental de proporções lamentáveis.
Um caso típico é sua partida
contra o GM-A russo V. Salov (simultânea no CXSP, 04.11.96),
quando, tendo fisgado um peixe enorme (ficou completamente
ganho), ele deixou o seu ouvido ao alcance do canto das
sereias...
Pior: do gigantão
descomunal!
(da minha crônica “O Gigantão”, Diário Popular, 11.01.97) |
Sua Majestade, o Capivara
O
grande Tartakower dizia: “No xadrez, se o erro não existisse,
precisaria ser inventado”. Nesse caso, implicitamente ele
consagrava a figura modelar do capivara – esse mestre no sedutor
ofício de errar.
O saudoso Ademazão (Adhemar
Mendonça) garantia-nos de que “todo capivara tem uma imortal na
cabeça!...”. A tragédia é que se um dia essa imortal acontecer,
ele dificilmente terá a chance de vê-la publicada, irradiando para
todos a beleza de sua inspiração.
Por capivara deve-se entender o
principiante ou mesmo aquele que joga há algum tempo, mas que,
devido a seus afazeres, não tem tempo para se esmerar na técnica
das aberturas, do meio-jogo e dos finais.
O grande engano, portanto, é
julgar que um capivara seja um néscio na vida comum, uma pessoa
sem muita destreza mental. Muito pelo contrário! Conheci (e
conheço) capivaras inteligentíssimos, capazes de se emular com as
mais consagradas cerebrações conhecidas. No entanto, sua inaptidão
no manejo dos trebelhos aliada à sua falta de tempo tornam-nos
presa fácil até de bisonhos adversários.
Revistas e livros estão cheios
de partidas de capivaras... perdendo, é claro. Há até quem garanta
que Blackburne (1841-1924), cognominado de “a morte negra” por sua
irrefreável disposição para o ataque, tenha se tornado mais
conhecido por sua famosa e espetacular derrota diante de Zukertort
(1842-1888) do que por todas as partidas ganhas por ele.
A idéia deste parque tem por
objetivo prestigiar aqueles jogadores que ainda não alcançaram o
estrelato e, assim, não tiveram suas partidas publicadas.
Este recanto deverá ser o refúgio desses capivaras, que vez em
quando “cometem” partidas interessantes ou mesmo divertidas.
Nossa meta será a de fazer uma
triagem do material que nos for enviado, verificar a autenticidade
de sua origem, analisar e publicar (gratuitamente) aquelas
partidas que servirão de algum
modo como estímulo e/ou orientação desse pessoal tão esforçado.
Preencha o formulário
e envie sua partida através
do e-mail
heldercamara@terra.com.br.
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